Uso racional e tecnológico da água garantiu a longevidade do Império Romano

Notícias | 20.12.14 | Nenhum Comentário

Uso racional e tecnológico da água garantiu a longevidade do Império Romano

Surgido no ano de 27 a.C, o Império Romano chegou a compreender três continentes e abrigar cerca de 70 milhões de pessoas, perdurando por vários séculos.

A longevidade do império teve como uma de suas principais bases o uso racional dos recursos hídricos, inclusive nas cidades onde a água era escassa,

segundo um estudo novo publicado no Hydrology and Earth System Sciences (Hidrologia e Ciências do Sistema Terrestre, em tradução livre), periódico de acesso aberto da EGU (União Europeia de Geociência, em sigla em inglês).

Uma equipe composta por hidrólogos e historiadores investigou como, naquela época, os romanos conseguiam ter uma oferta estável de alimentos em todas as cidades do vasto império, mesmo em regiões com escassez de recursos hídricos e diante do clima árido e variável da região Mediterrânea.

Ruínas do aqueduto romano de Luynes

“Nós podemos aprender muito investigando como sociedades do passado lidavam com mudanças nos seus ambientes. Por exemplo, os romanos foram confrontados com o desafio de administrar os seus recursos hídricos diante do crescimento populacional e urbanização. Para assegurar a continuidade do crescimento e a estabilidade da civilização, eles tiveram que garantir a estabilidade da oferta de alimentos nas suas cidades, muitas delas localizadas em regiões com pouca água”, disse o cientista ambiental da Universidade de Utrecht, Brian Dermody.

Para isso, a equipe se concentrou em descobrir quanto de água era necessário para cultivar cereais, alimento básico da civilização romana, e como esse recurso hídrico estava distribuído dentro do Império. Os pesquisadores viram que eram necessários entre 1.000 e 2.000 litros de água para produzir um quilo de grãos.

Além disso, quando os romanos negociavam a safra, eles também trocavam a água necessária para produzi-la, ou seja, trocavam o que os pesquisadores chamaram de “água virtual”. “Nós simulamos o comércio de água virtual baseado em regiões pobres do recurso (centros urbanos, como Roma) exigindo grãos da região rica em água virtual (regiões agrícolas, como a bacia do Nilo)”, explica Dermody.

“Estamos confrontados com um cenário muito semelhante hoje. O comércio de água virtual permitiu o rápido crescimento populacional e urbanização, desde o início da revolução industrial. No entanto, à medida que se aproxima dos limites dos recursos do planeta, a nossa vulnerabilidade a baixos rendimentos decorrentes das mudanças climáticas aumenta”, conclui Dermody.

Fonte e Matéria Completa : UOL NOTICIAS – CIÊNCIA
Imagem : Daniel Olivet/EGU

ARTIGO COMPLETO : Dermody, B. J., van Beek, R. P. H., Meeks, E., Klein Goldewijk, K., Scheidel, W., van der Velde, Y., Bierkens, M. F. P., Wassen, M. J., and Dekker, S. C.: A virtual water network of the Roman world, Hydrol. Earth Syst. Sci., 18, 5025-5040, doi:10.5194/hess-18-5025-2014, 2014.


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