Rio e São Paulo desperdiçam mais de 30% da água

Notícias | 07.04.14 | Nenhum Comentário

Enquanto discutem sobre captação no Paraíba do Sul, Rio e São Paulo desperdiçam mais de 30% da água

Estados mais ricos do país, Rio e São Paulo – que hoje divergem por conta do pedido do governo paulista para captar água da bacia do Rio Paraíba do Sul – desperdiçaram, em 2011, mais de 30% da água tratada.

As perdas na distribuição chegaram, respectivamente, a 32,8% e 35,2%. De acordo com o Ministério das Cidades, que reúne os dados do setor, a média brasileira é ainda pior: 38,8%, por conta dos estados do Norte e do Nordeste, que em sua maioria desperdiçavam mais da metade da água tratada. Para especialistas, no entanto, o razoável seria no máximo 15%.

Alguns países da Europa e os Estados Unidos estão nesse patamar. Na Alemanha, por exemplo, o índice já está abaixo dos 10%. O Japão, no entanto, foi além: tem índice de 7%, sendo que, em Tóquio, o desperdício não passa dos 5%

Rio e São Paulo têm perdas extraordinárias. Discute-se quem pode captar ou não água do Rio Paraíba do Sul, mas é uma falsa discussão. Se tanta água não fosse desperdiçada, a carência seria menor. A discussão tinha que passar pela má gestão das empresas de saneamento dos estados e não apenas pela captação da água do rio que atende a maior concentração da força produtiva brasileira. Claro que agora é necessária uma solução de curto prazo, mas desperdiçar mais de 15% deveria ser inaceitável . Se o estado de São Paulo conseguisse reduzir em 50% as perdas na distribuição, seria possível atender cerca de 4,5 milhões a mais de pessoas,  diz Paulo Canedo, coordenador do laboratório de Hidrologia da Coppe/UFRJ.

As duas empresas, Sabesp(SP) e Cedae(RJ), já deveriam estar perto de 20% e não dos 30%. Não existe perda zero, mas 15% seria um nível civilizado. Os números do Brasil são maiores, e ainda podem estar subdimensionados – diz Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil.

Em nota, o Ministério das Cidades reconhece que “as perdas de água representam um dos grandes desafios para a expansão e melhorias da distribuição”. Diz ainda que “a perda com a água produzida e não faturada faz com que o setor do saneamento deixe de obter importantes recursos financeiros, além de sobrecarregar desnecessariamente os mananciais hídricos com as demandas por aumento de produção de água”. Segundo a nota, o ministério tem apoiado financeiramente, “por meio dos programas de abastecimento de água, os prestadores de serviços em ações que visam reduzir as perdas, bem como só aceita propostas de aumento de produção de água, quando as perdas estão abaixo da média nacional”. A pasta afirma que “em um cenário ideal, as medidas preventivas de controle de perdas devem ser consideradas já nas etapas de planejamento e implantação do sistema de abastecimento de água. Ao longo da operação do sistema, medidas de redução e controle de perdas devem ser implementadas de forma contínua e permanente pelo prestador de serviços.”

Por (Carolina Benevides / O Globo)

http://oglobo.globo.com/pais/rio-sao-paulo-desperdicam-mais-de-30-da-agua-12111384#ixzz2yCqC2UyS


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