gestão de recursos hídricos

Notícias | 19.08.12 | Nenhum Comentário

Matriz desenvolvida pela UFV permitirá melhor gestão de recursos hídricos

Para tirar o atraso de décadas no que diz respeito à gestão de recursos hídricos, pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) acabam de entregar ao Ministério do Meio Ambiente a Matriz de Coeficientes Técnicos para Recursos Hídricos no Brasil.

Mais de um bilhão de pessoas já sofrem com o racionamento de água no planeta. Demorou, mas a importância do uso racional desse bem tão precioso tem recebido mais atenção das pessoas. O tema, inclusive, entrou na pauta de discussão da Rio+20, evento da Organização das Nações Unidas ocorrido no Rio de Janeiro em junho.

A demanda partiu do Conselho Nacional de Recursos Hídricos como parte dos esforços despendidos pelo ministério para a implementação do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH). O desenvolvimento da matriz durou dois anos e meio, sob os cuidados do professor e vice-reitor da UFV, Demetrius David da Silva.

“Até pouco tempo atrás, o Brasil não tinha parâmetros adequados à realidade do setor industrial nacional para avaliar se um empreendimento estava ou não abusando da quantidade de água captada em um manancial hídrico para fabricar seus produtos. A referência é fundamental para a gestão das águas brasileiras e para coibir abusos que podem prejudicar regiões inteiras abastecidas por mananciais superficiais ou subterrâneos em uma bacia hidrográfica”, destaca.

A equipe avaliou as vazões de retirada, de consumo e de devolução de água ao manancial das principais tipologias de atividades industriais realizadas no país, com base na classificação nacional de atividades econômicas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Agora é possível avaliar quanto uma indústria consome de água para produzir um carro, uma tonelada de celulose, carne de boi ou suíno, por exemplo.

Foram mapeadas 272 classes entre indústrias extrativistas e de transformação. A nova matriz tem 80% das classes registradas na Classificação Nacional de Atividade Econômica (Cnae) e representa 90% da receita líquida do país.

Além da matriz industrial, foi feita outra para a agricultura irrigada. “Nosso objetivo era obter um coeficiente de vazão de retirada de água, consumo e de geração de efluente por unidade de produto. Vislumbrar o aspecto quantitativo. Saber, por exemplo, quantos litros de água são consumidos para a produção de uma tonelada de soja. O trabalho para a matriz agrícola foi menos desafiador, pois já havia muitos dados. O que fizemos foi atualizar essa matriz, considerando 59 culturas aqui desenvolvidas. Todas aquelas que ocupam área superior a 300 hectares no Brasil. Com esse trabalho, agora temos um retrato desse consumo de água no campo nos 5.564 municípios do país para cada cultura nas 12 regiões hidrográficas do Brasil”, esclarece o Prof. Dr. Demetrius David da Silva

O relatório técnico apresenta a compilação de todas as informações e resultados obtidos com o trabalho. Clique aqui e acesse o documento

Fonte :  Jornal Estado de Minas

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